sábado, 12 de dezembro de 2015

Varinha Mágica...


Ela que gostaria de ter uma varinha mágica.
Com o poder de transformar tudo que provoca dor.
Dor de alma...
Dor de momento...
Dor de sofrimento...
De curar os íntimos que se perderam num mundo que devora.
Devora o corpo, o espírito e o sentido.
Ela que queria em um pequeno movimento amenizar angústias, desesperos e medos.
Transformar no ar com o vento a limpeza de sentimentos.
Ela que acha que todo ser humano poderia sorrir de alegria.
Ela que pede a todo o momento força na prece e alento para o tempo.
Respirar...
Chorar...
Soluçar...
Pausar...
Mesmo sem a varinha mágica ela vai continuar.


domingo, 29 de novembro de 2015

Para Norma Bengell...


Eu e essa velha mania de ler tudo que posso e quero.
Quando ganhei o livro da autobiografia dessa incrível mulher e atriz Norma Bengell estava em um período de muito trabalho.
Na condição de ser atriz e amar o que faço estava com 4 peças para decorar, ou seja, 4 personagens para construir.
Quando estreei todos os espetáculos logo veio a calmaria.
E, então voltei a minha velha mania de ler livros.
Meu lindo namorado me deu de presente esse livro e disse: Leia você vai gostar.
Muito mais do que gostar fiquei encantada e virei fã dessa grande mulher e atriz.
Norma Bengell era uma mulher a frente do seu tempo. 
Desde criança quando morou em um colégio interno sempre se demonstrou uma revolucionária que ninguém conseguia calar.
Personalidade forte, menina e depois mulher de opinião.
Norma iniciou sua carreira artística como manequim na Casa Canadá.
Logo depois foi para o teatro de revista, onde ouviu a seguinte frase de Carmen Miranda: Dessa turma toda, você é quem vai ser uma grande estrela.
Cumpriu-se a profecia de Carmen Miranda.
Norma não foi só uma estrela nacional do cinema, mas também internacional.
Foi ela a primeira mulher a protagonizar nas telas do cinema brasileiro o primeiro nu frontal. O que na época foi um escândalo.
O que mais me fez mergulhar em sua autobiografia foi à mulher corajosa que lutou não só por sua condição de mulher como também por uma sociedade mais justa.
Viveu vários amores e nunca se privou de atender os seus desejos e anseios. 
Uma mulher libertária.
Despida de corpo e alma nunca se calou e como todas as mulheres que se posicionam sofreu muito preconceito da sociedade.
Lutou bravamente contra a ditadura militar, usando sua arte para denunciar os abusos, violências e injustiças cometidas pelos militares.
Viu amigos serem torturados e mortos pela ditadura.
Participou da passeata dos cem mil.
Foi presa e exilada.
Amiga de Jango ela descreve sua relação com o ex presidente e conta da esperança que ele tinha de voltar ao Brasil quando os dois estavam exilados na França.
Norma conheceu Simone de Beavoir e pediu ajuda para libertar Inês Etienne Romeu a única presa política condenada a prisão perpétua no Brasil torturada e violentada dia e noite na famosa Casa da Morte.
O exílio para Norma no começo foi muito doloroso e um recomeço, mas ela foi uma fênix e conseguiu fazer um grande sucesso no cinema francês.
Voltou para o Brasil uma nova mulher.
Na sua volta sofreu mais uma vez a perseguição.
Na praia foi agredida por um grupo de rapazes que jogaram copos com areia, molho de tomate e junto com sua grande amiga Sandra foi xingada de puta, lésbica, macumbeira e comunista.
Eles gritavam em peso fora do meu país, mas Norma os encarou e não se deixou abalar.
Continuou fazendo teatro e cinema.
Teve uma briga com Daniel Filho, pois iria fazer a antagonista da novela Dancin Days e a TV Globo recusou em colocá-la nos créditos principais já que era a antagonista e sua personagem ficou com Joana Fomm.
Teve que enfrentar mais uma vez a maldade da imprensa que a perseguia.
Norma decidiu produzir os seus filmes e dirigi-los como Eternamente Pagú e O Guarani.
O Guarani foi quase o golpe de misericórdia de sua carreira.
Já que a Revista Veja fez questão de espalhar que Norma tinha ficado com o dinheiro que o governo havia lhe dado para fazer o filme.
Ela cita no livro sua consciência tranquila em relação a esse assunto.
Norma Bengell terminou a sua vida em uma cadeira de rodas e cheia de dívidas.
Mesmo assim recebeu uma homenagem no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, em 2011. Entrou no palco devagar na cadeira de rodas e foi aplaudida de pé pela platéia, essa foi uma das partes do livro que mais me arrepiou.
Ela viveu muito, amou muito, mas teve dois grandes amores Gabriele Tinti (ator italiano) e Gilda Grillo.
Muito mais do que uma atriz Norma foi uma dessas grandes mulheres que desafiou o tempo, a sociedade e lutou até o fim pelas injustiças do mundo.
Porque o que ela queria ela conseguiu, que era não morrer muda.
A maneira de como Norma morreu: só, abandonada, pois todos sumiram me tocou muito.
Pois doeu saber que uma mulher incrível como ela tenha tido somente 15 pessoas em seu enterro.
Mas, como foi citado no posfácio de seu livro. A nós, só resta aplaudir.


Durante a minha vida, me acusaram de ser muitas coisas: Puta, comunista, sapatão, sapatilha. Mas nunca poderão me acusar de uma coisa: De que fui covarde. (Norma Bengell)

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Respire Fundo...


Ninguém quer olhar para trás e ver um enorme terreno vazio.
E muito menos andar sem ver perspectiva e futuro.
As sementes podem ser lançadas, plantadas ou jogadas.
As mudas podem ou não crescer.
É tão bom olhar pra trás e ver no infinito a plenitude de tudo aquilo que já foi vivido.
Respirar e Visualizar.
Inspirar e sorrir.
Pausar e seguir.
Plantar para colher.
Deixar as sementes dar frutos para viver.
E se no meio do caminho encontrar dores... Respire fundo para virar amores.


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Buscas...


No fundo ela se perdeu
Na lógica ainda não aconteceu
No íntimo ela buscou e se entristeceu
Na verdade foi à esperança que aos poucos morreu

Ela precisa acreditar de novo
E buscar dentro de si
Tudo aquilo que se calou
E sem brilho não viveu

E o mundo dela girou
Reacendeu e modificou
Na vida ela novamente se posicionou
Dentro dela a esperança reverberou

A vida e as lutas
Com dores e custas
Decepções e angústias
Mas ela continua suas buscas.


quarta-feira, 1 de julho de 2015

Essa Tal Liberdade...


Ela só quer ser livre
Andar nas ruas
Sentir a brisa leve
Ver o Sol se pondo
Perceber a chuva caindo
Sem medo
Sem cobranças
Sem horário para ir ou vir
Seguir sem rumo
Caminhar sem dar satisfações
Buscar sempre no fundo
A inquietude do seu infinito particular
Mas, ela sabe que tudo na vida tem seu preço
E ela vai arriscar e pagar só para viver essa tal liberdade
Porque ela nasceu para ser livre, livre meu bem.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Escrever na rotina...


Há quanto tempo que escrever não se tornou mais rotina.
Mas, sim a rotina não me permitiu mais escrever.
Transformar o que está em mente, no coração e na alma em poesias da vida.
Em versos contados
Em contos expressados
Com letras garrafais
Preciso pausar e ao mesmo tempo buscar.
Sentir-me leve mesmo com os pesos do dia a dia.
Tocar as coisas e silenciar.
Ver alternativas sem poder falar.
Porque às vezes calar é preciso.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Pela Janela...


Olhar e analisar bem lá no fundo.
Concentrar e deixar o coração silenciar.
Vendo rostos, gestos, risadas e choros.
Carros passando com rapidez.
Motos acelerando para serem os primeiros da vez.
Folhas das árvores balançando com o vento.
E eu não me canso em ver de interiorizar e meditar calma e paz pro mundo.
Pra minha alma e meus sentimentos mais profundos.
Que deságuam ao reparar o que existe por fora e por dentro.
E a janela vira um quadro de passagens e silêncios.
Dando-me conforto de sentir imerso, mesmo no vulcão de minhas emoções.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Preciso repousar...


E o vento que balança
É o mesmo que me encanta
Paralisa-me levanta
Que me faz ver como a folha da árvore dança

E meus olhos são tomados de esperança
De ver a água cair junto com o vento que balança
A chuva que promete vir
Sem deixar o vento cessar

Eu que quase tudo vejo
Espero a chuva com olhos de desejo
Para aliviar o meu respirar
Para molhar o que ainda vou plantar

Por isso rezo que a água caia
Só para bailar nos pingos e no chão
Que estão na espera de refrescar
Para fechar os olhos e enfim repousar.




domingo, 18 de janeiro de 2015

Minha amiga voltou...


Luandre não me visitava já fazia um tempo e confesso tomei um susto quando ela apareceu para mim novamente.
Ela veio em um dia bastante angustiante.
E eu com essa velha mania de olhar a lua e as estrelas para me acalmar, nessa necessidade de me sentir leve.
Luandre sabe disso, ela simplesmente saiu da estrela mais iluminada e sua luz radiante se destacava sobre os meus olhos cheios de água.
Dançou e rodopiou em volta da lua e ao me olhar ela expressava um gesto querendo dizer: que menina boba.
Mais uma vez Luandre veio me mostrar que para ser leve basta dominar os pensamentos, ter bons sentimentos e saber perdoar.
E que os caminhos da vida são infinitos assim como a altura do céu.
Que meu brilho pode ser intenso como o das estrelas.
E que a luz da lua era para me inspirar a nunca desistir e continuar, mesmo às vezes me sentindo tão perdida.
Luandre se foi assim que tentei tocar as suas mãos.
Mas, ela me faz ver que tudo que sinto faz parte de tudo que sou.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A Pressa...


E a pressa ocupa os lugares em um ritmo acelerado.
Com um ar de que nunca vai dar tempo.
Naquela ânsia de fazer e acontecer.
O mundo pede calma e o coração paciência.
A natureza em volta cercada pelo verde lembra que é necessário respirar e esperar.
O tempo não para...
A vida não para...
As coisas não saem do lugar.
E as pessoas correm para modificar.
A pressa oprime, sufoca e gera angústia.
Nas medidas que as pessoas vão indo e vindo eu tento pausar.
Pauso no grito pedindo silêncio.
Na guerra querendo paz.
No ódio despertando a esperança.
Na rapidez do tempo em um olhar de uma criança.
E o dia é engolido pela noite...
E a noite num piscar de olhos vira dia.