terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Luandre canta...


Luandre voltou a me visitar toda colorida, alegre e falante.
Ela veio só para me mostrar seu jeito livre de ser.
Sua leveza em andar, sorrir, brincar e cantar.
Luandre me surpreendeu cantando com uma voz forte e um jeito suave.
Não consegui me conter e chorei igual a uma criança ao ouvi-la.
Ela cantava uma canção italiana.
Senti que Luandre me conhece a fundo, pois nos olhos dela eu via sua certeza em saber minha paixão por músicas italianas.
O quanto elas tocavam o meu coração e transformavam os meus ouvidos em encontros comigo mesma.
O silêncio reinou e Luandre desapareceu deixando um brilho com um perfume de flor de jasmim.
Luandre me deixa pensativa todas as vezes que aparece e depois vai embora.
É como se ela me mostrasse um pouco do que eu fui, do que eu era em algum lugar do tempo e do espaço.
Aquieto o meu coração, fecho os olhos e nos meus sonhos vejo Luandre novamente em algum palco, em um teatro antigo que não me recordo o nome, mas sinto ser tão familiar.
E Luandre canta...


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Aquela Criança...



Aquela criança me impressionou com seu olhar.
Um olhar inocente e ao mesmo tempo dolorido.
Não tinha perspectiva de futuro e amargava lembranças fortes do seu passado.
Aquela criança sorriu pra mim e no seu sorriso a carência, a falta de afeto e a solidão.
Minhas mãos deslizaram em seu rosto e aquele carinho encheu os seus olhos de esperança e compaixão.
Compaixão por ela mesma...
Compaixão por mim...
Num ato de coragem pegou em minhas mãos, segurou-as com muita força e as beijou.
Em um gesto solene, doce, amável me tocou muito mais forte do que eu poderia tocá-la.
Foi se afastando, pegou o seu único brinquedo e brincava fitando-me com os olhos.
E no seu olhar a felicidade misturada com o medo.
O medo de não saber para onde vai e a felicidade de se sentir acarinhada pela primeira vez.
Aquela criança partiu me deixando triste, angustiada, sem voz e sem ação.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O poder das mãos...




Mãos que acarinham, batem e ao mesmo tempo passam energias.
A força da palma das mãos quando elas se tocam e se sentem.
Sensibilizam-se com o quente, o morno e o frio.
Dando sentidos às temperaturas transformadas em energias através do tato.
Mãos que desenham, pintam, escrevem e se fecham.
Ao fechá-las elas silenciam os sentidos e os deixam oprimidos.
Porém os dedos levantam, as palmas acompanham e elas se abrem novamente.
Para tocar, sentir e deixar fluir.
Coisas ruins que pesam demais nunca cabem nos dedos e escorregam para deixar partir.
Já as boas, essas se concentram nas palmas e fixam-se nas mãos e só soltam para fluírem, energizando tudo que tocam.
Assim, elas modificam e transformam o mundo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Desvairada...



Eu me vejo em tantas
Procuro-me
Prendo-me
Me solto
Traço metas
Abro mão
Destino ou futuro
E me confundo dos pés a cabeça
Sou tantas e ao mesmo tempo não sou nenhuma
Vários perfis e muitas incógnitas
Nada foi definido
Tudo está embaraçado e misturado
Entre tantas ou ser tantas
Defino que sou todas e ao mesmo tempo não sou nada
Desse modo faço o perfil da louca desvairada.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dentro de mim chove...


Dentro de mim chove
Chove frio e às vezes gelado
Com pingos grandes e alguns pequenos
Dando início a uma tempestade

Uma tempestade que me prende
Com ventanias surpreendentes
E o coração fica molhado
Os pensamentos tornam-se vazios

Limitados ao tempo e espaço
Ao grande movimento
Que se inicia por dentro
Onde só é preciso viver o momento

As emoções me invadem
São elas que chovem
Despertando em mim
Sentimentos de saudades.


terça-feira, 24 de setembro de 2013

Entre parênteses...


Existem coisas que precisam ficar entre parênteses
Entre dois corações
Entre um abraço
Entre sorrisos
Entre duas pessoas
Lugares abençoados
Sentimentos abstratos
Almas que se entregam
Pessoas que se amam
Momentos milagrosos
Instantes preciosos
Guardados por toda uma vida.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Encontro das almas...



As almas não falam
Não se olham
Nem se tocam
Elas simplesmente sentem


Sente o outro
Envolve-se com o outro
Percebe o outro
E o reconhece


Dando-se assim o encontro
Do olhar penetrante
Do toque surreal
Misturando corpos que se tornam um só


Não importa se estão
Juntos ou separados
De perto ou afastados
Mas sempre unidos


Unidos pelas almas
Que se cruzaram
E não se desligaram mais
Por toda eternidade.